{"id":3935,"date":"2024-06-09T08:07:09","date_gmt":"2024-06-09T06:07:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/?p=3935"},"modified":"2024-12-01T11:22:39","modified_gmt":"2024-12-01T10:22:39","slug":"relatos-de-rumo-a-santiago","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/relatos-de-rumo-a-santiago\/","title":{"rendered":"Relatos de \u00abRumo a Santiago\u00bb"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Texto e fotos de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rumoasantiago\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" data-wplink-edit=\"true\">https:\/\/www.facebook.com\/rumoasantiago<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Etapa 1 (dia 1@Geira): Braga &#8211; Caldelas<\/h2>\n\n\n\n<p>Chegou finalmente o dia de encetar a descoberta de um Caminho que j\u00e1 h\u00e1 muito tempo estava nos planos: o Caminho da Geira e Arrieiros.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Este ano o plano chegou um pouco mais tarde do que o habitual. Normalmente nos dias que seguem o final de um Caminho come\u00e7o a pensar em qual ser\u00e1 o pr\u00f3ximo. Contudo, no ano passado o meu Caminho foi t\u00e3o intenso que duvidei se haveria algum outro Caminho t\u00e3o \u00fanico como aquele foi.<\/p>\n\n\n\n<p>Por <a><\/a>isso o tempo foi passando at\u00e9 que h\u00e1 pouco mais de um m\u00eas comecei o trabalho de campo que gosto sempre de fazer. Entre analisar informa\u00e7\u00e3o mais t\u00e9cnica do trajeto, at\u00e9 \u00e0s especificidades da log\u00edstica (dormidas e afins), decidi que seria finalmente a altura de conhecer este Caminho e tamb\u00e9m de regressar a casa pelo meu pr\u00f3prio p\u00e9 (no dia seguinte a chegar a Santiago continuarei a caminhar pelo Caminho Central em dire\u00e7\u00e3o a Braga &#8211; em Ponte de Lima seguirei pelo Caminho de Torres).<\/p>\n\n\n\n<p>Tirando o Caminho de 2017 em que comecei literalmente \u00e0 porta de minha casa, todos os meus Caminhos t\u00eam implicado viajar para longe para iniciar o mesmo. Desta vez o in\u00edcio n\u00e3o foi em casa (esteve quase para ser <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"> ), mas foi quase. Como a primeira etapa percorre um trajeto que nunca se afasta muito da zona onde resido, a S\u00f3nia (minha esposa) fez-me companhia. Por isso a manh\u00e3 come\u00e7ou por uma viagem de autom\u00f3ve(is) para deixarmos um carro em Caldelas para facilitar o regresso da S\u00f3nia a casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma viagem de uber depois j\u00e1 est\u00e1vamos junto \u00e0 S\u00e9 de Braga, onde um grande grupo de ciclistas se preparava para fazer um passeio pelos trilhos que comp\u00f5em o Caminho da Geira.<\/p>\n\n\n\n<p>Eram cerca de 10 horas quando inici\u00e1mos o Caminho. Vamos seguindo as setas amarelas que pacientemente nos fazem descer da cidade at\u00e9 \u00e0 zona de Real e Dume.<\/p>\n\n\n\n<p>O calor que se fazia sentir era um pren\u00fancio claro de que n\u00e3o obstante o facto de a etapa ser ligeira em dificuldade t\u00e9cnica e f\u00edsica, n\u00e3o ia ser f\u00e1cil para a S\u00f3nia que n\u00e3o lida muito bem com o calor.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu j\u00e1 sabia que esta n\u00e3o \u00e9 propriamente uma etapa de refer\u00eancia daquilo que carateriza o Caminho da Geira, dado que obriga a caminhar em asfalto em praticamente toda a sua extens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na zona de Palmeira, em Braga, vamos vendo com alguma frequ\u00eancia bifurca\u00e7\u00f5es do Caminho com indica\u00e7\u00e3o do Caminho Minhoto que me levam a crer que evitam um pouco mais a estrada nacional 101, que \u00e9 horr\u00edvel em termos de tr\u00e2nsito.<\/p>\n\n\n\n<p>Atravessamos a Ponte do Bico para deixarmos o concelho de Braga para tr\u00e1s e entrar no concelho de Amares (terra do nosso Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es). Aqui tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil caminhar, dado que os passeios e valetas est\u00e3o em obras e ou caminhamos no alcatr\u00e3o sujeitos \u00e0s tangentes dos autom\u00f3veis, ou caminhamos na terra solta da zona em obras.<\/p>\n\n\n\n<p>Caminh\u00e1mos o mais que pudemos sem parar at\u00e9 chegarmos a uma aldeia perto da praia fluvial de Felinhos, em Rendufe. J\u00e1 tinham passado umas duas horas, pelo que foi o momento perfeito para uma pausa \u00e0 sombra para comer qualquer coisa e para a S\u00f3nia cochilar e recuperar do calor.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do descanso feito, seguimos viagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Junto ao mosteiro de Rendufe vimos uma pessoa compenetrada a tirar fotos a um amontoado de pontas de cigarro. Ele meteu conversa e rapidamente se apresentou como ativista ambiental e que aquela foto seguiria para a imprensa, dado que brevemente o mosteiro receber\u00e1 a visita de um alto representante do Papa. Depressa percebi que se a pessoa era o Carlos Dobreira, um ac\u00e9rrimo ativista ambiental de Braga muito ativo nas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo viagem pisamos finalmente aquilo que se parece com uma estrada romana, feita de grandes pedras.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longe j\u00e1 vemos o monte de S\u00e3o Fins, pelo que Caldelas j\u00e1 n\u00e3o estava muito longe.<\/p>\n\n\n\n<p>O calor continua a apertar e assim que vemos um caf\u00e9-restaurante em Fiscal, fazemos mais uma paragem t\u00e9cnica para recuperar.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 poucos quil\u00f3metros restam at\u00e9 Caldelas. O corpo refrescado permite manter o ritmo confort\u00e1vel e mal damos por ela, j\u00e1 estamos junto ao albergue de Peregrinos de Caldelas. Por aqui estava o Presidente da Junta, que nos recebe de forma calorosa e que nos presta um comp\u00eandio de informa\u00e7\u00e3o e conselhos sobre o Caminho da Geira que mesmo os mais impreparados n\u00e3o t\u00eam como errar.<\/p>\n\n\n\n<p>Por aqui tamb\u00e9m est\u00e1 o Francisco, que veio da Maia para fazer este Caminho. Com um arranjo de etapas muito semelhante ao meu, tudo indica que terei companhia pelo menos no final das etapas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por recomenda\u00e7\u00e3o fomos ao caf\u00e9 Avenida para jantar um belo prego no prato. Como diz o meu amigo \u00c1lvaro Lazaga, cavalo vencedor!<\/p>\n\n\n\n<p>Se hoje a etapa foi ligeira, amanh\u00e3 j\u00e1 ser\u00e1 um pouco mais exigente. O destino \u00e9 Campo do Ger\u00eas, pelo que vou finalmente caminhar em trilhos onde a natureza e n\u00e3o o bet\u00e3o \u00e9 rainha. A ver se o corpo se habitua depressa ao ritmo e \u00e0 rotina dos dias no Caminho <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"> . Para j\u00e1, enquanto escrevo esta cr\u00f3nica, o povo parece estar a ensaiar marchas populares para as festas que se avizinham, pelo que hoje se calhar a noite n\u00e3o vai ser a mais descansada <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-00b.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3941\" srcset=\"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-00b.jpg 800w, https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-00b-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-00b-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-00b-355x266.jpg 355w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Etapa 2 (dia 2@Geira): Caldelas &#8211; Campo do Ger\u00eas<\/h2>\n\n\n\n<p>Alvorada \u00e0s 6h00 em ponto, para ganhar depressa o ritmo do Caminho. A noite foi de descanso, ainda que o sono leve quer pela emo\u00e7\u00e3o de estar no Caminho, quer pelo corpo que sabe o que est\u00e1 para vir, fez com que acordasse algumas vezes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda tinha alguns mantimentos do dia anterior, que serviram perfeitamente de pequeno almo\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Faltavam 10 minutos para as 7h00 e j\u00e1 est\u00e1vamos fora do albergue prontos para <a><\/a>iniciar o dia. C\u00e1 fora j\u00e1 estavam tamb\u00e9m alguns trabalhadores da junta, que tamb\u00e9m madrugaram (n\u00e3o tanto por lazer como n\u00f3s).<\/p>\n\n\n\n<p>Facto curioso sobre Caldelas: como n\u00e3o encontrei nenhum balde do lixo no albergue, levei comigo o lixo que tinha para deitar nalgum contentor de rua. N\u00e3o encontrei contentor em lado algum, nem daqueles pequenos que \u00e9 costume ver nos centros urbanos. Havia v\u00e1rios contentores pequenos \u00e0 porta das casas, mas s\u00e3o claramente privados e como o conte\u00fado estava em sacas, n\u00e3o quis usar esses contentores.<\/p>\n\n\n\n<p>Felizmente como hoje parece ser dia de recolha de lixo e como os animais de rua j\u00e1 tinham feito estragos num saco que estava no ch\u00e3o, consegui enfiar o meu lixo num desses sacos <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"><\/p>\n\n\n\n<p>A etapa come\u00e7a logo em grande, para abrir o apetite. S\u00e3o cerca de 4km sempre a subir, ora em piso de paralelo, ora em terra. N\u00e3o se trata propriamente de trilhos desconhecidos, dado que uma das minhas rotas habituais de BTT \u00e9 por estas bandas e reconheci rapidamente os trilhos por onde hoje n\u00e3o pedalei, mas sim caminhei.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o momento em que sa\u00edmos de Caldelas at\u00e9 ao momento em que horas mais tarde cheguei a Covide, foram poucas as vezes em que me cruzei com civiliza\u00e7\u00e3o. O percurso de hoje \u00e9 como da noite para o dia por compara\u00e7\u00e3o com a etapa de ontem, com o verde da vegeta\u00e7\u00e3o a impor-se e a floresta frondosa a dar algum abrigo do sol. A \u00e1gua tamb\u00e9m marca presen\u00e7a constante nesta etapa, com muitos cursos de \u00e1gua que ainda correm ou pelo caminho, ou que o atravessam perpendicularmente criando assim um ou outro desafio de equil\u00edbrio (onde os bast\u00f5es de caminhada se revelam preciosos para passar como se n\u00e3o fosse nada).<\/p>\n\n\n\n<p>O acordo de cavalheiros entre mim e o Francisco \u00e9 simples: a conversa \u00e9 interessante e divertida, mas nenhum de n\u00f3s tem de se sentir na obriga\u00e7\u00e3o de fazer companhia ao longo de todo o percurso. A ideia \u00e9 que cada um de n\u00f3s possa caminhar no ritmo que mais gosta, parar onde lhe apetece, sem que o outro tenha ou de dar ao litro, ou de parar quando n\u00e3o tenciona faz\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que o Francisco, que j\u00e1 \u00e9 um caminheiro experiente, tem pedalada para dar e vender. \u00c9 muito f\u00e1cil julgar que uma pessoa aposentada \u00e9 lenta a caminhar, mas n\u00e3o \u00e9 definitivamente o caso, tanto que por diversas vezes o Francisco tomou a dianteira.<\/p>\n\n\n\n<p>Faltavam mais ou menos 10km para Campo do Ger\u00eas quando encontrei mais um peregrino no Caminho, que estava a descansar \u00e0 sombra. Trata-se do Peter, um peregrino alem\u00e3o mas que j\u00e1 vive em Portugal h\u00e1 v\u00e1rios anos (mais concretamente na zona de Aljezur, costa oeste do Algarve) e que j\u00e1 \u00abarranha\u00bb bem o portugu\u00eas. Ao contr\u00e1rio de n\u00f3s, ontem ele decidiu alongar a sua primeira etapa at\u00e9 Terras de Bouro, decis\u00e3o de que j\u00e1 se arrependeu hoje pelo desn\u00edvel que essa op\u00e7\u00e3o obriga.<\/p>\n\n\n\n<p>Diga-se de passagem, se a vossa segunda etapa \u00e9 semelhante \u00e0 minha (Caldelas &#8211; Campo do Ger\u00eas) e n\u00e3o t\u00eam nenhum afazer em Terras de Bouro, n\u00e3o h\u00e1 qualquer necessidade de descer at\u00e9 \u00e0 vila. V\u00e3o encontrar no Caminho, um pouco depois de 8km ap\u00f3s sa\u00edrem de Caldelas, uma placa junto a um dos marcos da Geira onde podem ver um gr\u00e1fico de altimetria com ambas as hip\u00f3teses. V\u00e3o querer seguir a indica\u00e7\u00e3o da Geira (indicada a verde no gr\u00e1fico).<\/p>\n\n\n\n<p>Quando faltavam 9km para Campo do Ger\u00eas reencontrei o Francisco, que j\u00e1 estava pronto para dar um mergulho nas \u00e1guas g\u00e9lidas de um ribeiro que por ali corria. Eu segui viagem, dado que queria chegar ao meu destino com tempo para esticar as pernas e descansar um pouco, dado que a pousada da juventude onde vou ficar fica distanciada da povoa\u00e7\u00e3o, o que significa que a caminhada n\u00e3o terminar\u00e1 a\u00ed se quiser ir jantar fora <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"><\/p>\n\n\n\n<p>Cheguei a Covide um pouco antes das 13h00. Por norma passo por aqui de carro quando me dirijo ao PNPG para algum trilho dos que fa\u00e7o na montanha, mas hoje as setas amarelas levaram-me para as pitorescas ruas da aldeia onde podemos inclusivamente ver uma placa alusiva aos 200km que faltam para Santiago de Compostela.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 s\u00f3 falta um saltinho de cerca de 3km at\u00e9 \u00e0 pousada de juventude. O trajeto segue essencialmente por asfalto, que \u00e9 largamente compensado pela vista para a Serra do Ger\u00eas. As setas levam-nos temporariamente para carreiros fora de estrada em duas ou tr\u00eas ocasi\u00f5es para evitarmos caminhar em curvas relativamente perigosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Junto ao centro interpretativo restam uns 1300 metros at\u00e9 ao destino. Em vez de seguirmos pela estrada de asfalto que sobe at\u00e9 \u00e0 pousada, somos novamente convidados a desviar-nos por um carreiro de terra que segue paralelamente \u00e0 estrada. Nota-se que est\u00e1 um pouco mal tratado pelas intemp\u00e9ries de inverno, pelo que imagino que quem tenha feito o Caminho da Geira h\u00e1 algumas semanas durante o tempo de chuva teve aqui um belo desafio aqu\u00e1tico para ultrapassar.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando alcan\u00e7amos novamente o asfalto (junto a uns bungalows elevados de madeira dum alojamento local que aparenta estar desativado), h\u00e1 que virar \u00e0 esquerda para seguir em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 pousada. 400 metros depois estou finalmente no destino, onde a menina da rece\u00e7\u00e3o me recebe com um ar preocupado <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"> . Pelos vistos a pousada, que tem mais de 240 camas dispon\u00edveis, est\u00e1 completa neste fim de semana. Logo que eu referi que j\u00e1 tinha reserva, suspirou de al\u00edvio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda n\u00e3o eram 14h quando aqui cheguei e depressa fui informado que s\u00f3 poderia ir para o dormit\u00f3rio \u00e0s 17h00. Por esta altura eu pingava suor e a ideia de um duche adiado desmoralizou um pouco. Felizmente a pousada tem v\u00e1rios espa\u00e7os de lazer dispon\u00edveis e depois de tratar do checkin acabei por encontrar o local perfeito e confort\u00e1vel para tratar da cr\u00f3nica e esticar as pernas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso n\u00e3o confiem muito no facto de este ser um Caminho com poucos peregrinos (creio que 3 j\u00e1 \u00e9 acima do normal), como o Caminho passa em muitas zonas de turismo de natureza \u00e9 normal que o alojamento se esgote com facilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O Francisco haveria de chegar um pouco mais tarde, por volta das 15h30. Ele \u00e9 definitivamente um homem da \u00e1gua e depressa comentou que tinha ido a banhos no ribeiro que passa por baixo da ponte de Eix\u00f5es (a uns 700m da pousada).<\/p>\n\n\n\n<p>Com tanta gente na pousada e com poucos restaurantes na aldeia, resolvi tamb\u00e9m esse tema com a ajuda da menina da rece\u00e7\u00e3o. Hoje vamos petiscar na Adega Regional da Geira, onde parece que as tapas e boa sopa imperam. O meu amigo Rui Barbosa, guru dos trilhos do PNPG, talvez se junte ao conv\u00edvio, ou pelo menos far\u00e1 uma passagem pela adega para um abra\u00e7o, pelo que o jantar animado est\u00e1 garantido.<\/p>\n\n\n\n<p>Os mantimentos para a pr\u00f3xima etapa est\u00e3o um pouco em baixo, mas sei que h\u00e1 um mini mercado no Parque Cerdeira (outro local interessante para acomoda\u00e7\u00f5es nesta zona). O problema \u00e9 que aviar l\u00e1 as compras significa uma caminhada de quase 2km desde a pousada, pelo que n\u00e3o estou certo se vai haver coragem de caminhar tanto depois de um banho tomado <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"><\/p>\n\n\n\n<p>Para amanh\u00e3 o destino \u00e9 Lobios. Prev\u00ea-se uma etapa \u00edmpar em beleza, pois basta saber que os primeiros quil\u00f3metros ap\u00f3s Campo do Ger\u00eas ser\u00e3o pela Mata da Albergaria, um dos ex libris do PNPG. Mais 25km para \u00abtorturar\u00bb as pernas <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-image uagb-block-0652c440 wp-block-uagb-image--layout-default wp-block-uagb-image--effect-static wp-block-uagb-image--align-none\"><figure class=\"wp-block-uagb-image__figure\"><img decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-01.jpg ,https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-01.jpg 780w, https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-01.jpg 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 150px\" src=\"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-01.jpg\" alt=\"\" class=\"uag-image-3936\" width=\"800\" height=\"628\" title=\"rumo-a-santiago-01\" loading=\"lazy\" role=\"img\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Etapa 3 (dia 3@Geira): Campo do Ger\u00eas &#8211; Lobios<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar de me ter deitado bastante cedo ontem \u00e0 noite, esta ainda n\u00e3o foi aquela noite de sono descansado que gostaria de ter tido. Para al\u00e9m dos ruidos t\u00edpicos de dormit\u00f3rio, havia um grupo escolar no mesmo edif\u00edcio que eu que tardou em sossegar (e isto inclui os adultos de servi\u00e7o, que gritavam instru\u00e7\u00f5es ao grupo quando eram perto de 23h).<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, eram 5h30 e j\u00e1 estava acordado. J\u00e1 n\u00e3o preguei olho e <a><\/a>apesar de o pequeno almo\u00e7o estar marcado para as 7h10, resolvi ir-me preparando.<\/p>\n\n\n\n<p>No nosso dormit\u00f3rio estavam mais duas pessoas, um rapaz novo que achou por bem queimar incenso dentro do quarto <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"> e um outro que n\u00e3o lhe cheguei a ver o rosto porque quando chegou j\u00e1 todos n\u00f3s est\u00e1vamos a descansar. Como j\u00e1 tinha tudo preparado para sair sem fazer grande algazarra, limitei-me a vestir a roupa que deixei pendurada no beliche durante a noite e arrumei o que faltava na mochila no exterior do edif\u00edcio (a cordelete que trago sempre comigo tem dado imenso jeito).<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00e1 fora j\u00e1 estavam alguns caminheiros, ou praticantes de trail, a prepararem-se para sair. A pousada estava cheia e imagino que uma boa parte das pessoas por aqui sejam praticantes de desporto de montanha.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como quem n\u00e3o quer a coisa fomos indo para a zona de refei\u00e7\u00f5es da pousada. O refeit\u00f3rio estava fechado, pelo que fomos at\u00e9 \u00e0 rece\u00e7\u00e3o para esperar pela hora combinada. O sr Jos\u00e9, que estava de servi\u00e7o na rece\u00e7\u00e3o \u00e0quela hora, depressa nos disse que nos abriria a porta do refeit\u00f3rio, pois o padeiro j\u00e1 teria trazido o p\u00e3o fresco.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente com uma atitude meio militarista, n\u00e3o demorou muito tempo at\u00e9 mostrar a sua personalidade descontra\u00edda e animada. Contou-nos que apesar de ser da terra, passou mais de duas d\u00e9cadas a dar voltas ao mundo enquanto empregado de mesa em navios de cruzeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O pequeno almo\u00e7o por ali \u00e9 bastante farto. Tirando o p\u00e3o que \u00e9 racionado (2 p\u00e3es por pessoa), tudo o resto est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. Fiambre, queijo, cereais, leite, sumo, manteiga, fruta, entre muitos outras op\u00e7\u00f5es enchem rapidamente o tabuleiro para um pequeno almo\u00e7o refor\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p>Sa\u00edmos por volta das 7h15, em dire\u00e7\u00e3o ao centro da aldeia. Seguindo as setas, passamos na estrada que liga Covide \u00e0 barragem de Vilarinho das Furnas, uma das minhas zonas preferidas do PNPG porque \u00e9 o ponto de partida para uma das caminhadas que mais repeti na serra Amarela (subida at\u00e9 ao alto da Louri\u00e7a). Vamos caminhando, passando pelo parque Cerdeira (um outro local interessante para dormir por estas bandas), at\u00e9 que finalmente entramos no estrad\u00e3o que d\u00e1 acesso \u00e0 Mata de Albergaria. Inicialmente as indica\u00e7\u00f5es s\u00e3o um pouco confusas, pois a seta dos marcos da Geira (de a\u00e7o corten) aponta para um carreiro que desce e segue mais junto \u00e0 barragem, mas nos sinais de tr\u00e2nsito no in\u00edcio do estrad\u00e3o vi setas amarelas do Caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Decidi seguir as setas amarelas, pois suspeitei que o trilho da Geira possa ainda estar submerso \u00e0 custa do n\u00edvel elevado que a barragem ainda tem. De qualquer forma penso que o trilho da Geira \u00e9 transit\u00e1vel, ainda que des\u00e7a bastante para voltar a subir depois um pouco mais \u00e0 frente.<\/p>\n\n\n\n<p>Dizem que esta etapa \u00e9 a mais bonita do Caminho da Geira e Arrieiros. Verdade seja dita, quando temos o privil\u00e9gio de atravessar a Mata de Albergaria, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o ficarmos impressionados com a beleza da mesma. Eu confesso que n\u00e3o senti o efeito \u00abwow\u00bb, mas apenas porque j\u00e1 por aqui caminhei v\u00e1rias vezes e a paisagem j\u00e1 n\u00e3o me \u00e9 estranha. O facto de residir t\u00e3o perto do PNPG habituou-me mal <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"> .<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros quil\u00f3metros s\u00e3o mesmo de estrad\u00e3o puro e duro onde at\u00e9 ve\u00edculos autom\u00f3veis podem circular, com algumas restri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente quando alcan\u00e7amos a Ponte rio Maceira, caminhados 6 quil\u00f3metros no estrad\u00e3o, \u00e9 que o cen\u00e1rio muda de figura, mas ainda para melhor. Agora caminhamos por um carreiro que serpenteia por dentro do cora\u00e7\u00e3o da mata. Depressa alcan\u00e7amos uma ponte que \u00e9 um miradouro perfeito para uma maravilha natural, uma imponente cascata no rio Homem.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguimos pelo trilho at\u00e9 atravessar uma pitoresca ponte sobre o rio Homem (ponte de S\u00e3o Miguel), para come\u00e7ar aqui uma subida t\u00e9cnica que acompanha o rio Homem, desviando-se ligeiramente para oeste, e que nos levar\u00e1 at\u00e9 \u00e0 Portela do Homem.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos finalmente em Espanha, onde nos despedimos por um dia de Portugal (havemos de voltar a Portugal na etapa de amanh\u00e3).<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas centenas de metros mais abaixo, j\u00e1 no trilho da Geira, encontramos o Peter numa esp\u00e9cie de deja vu de ontem: sentado numa pedra a comer uma ma\u00e7\u00e3. Uma breve troca de cumprimentos e seguimos viagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui acontece o primeiro deslize: ia t\u00e3o distra\u00eddo que segui pelo caminho abaixo sem prestar muita aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sinaliza\u00e7\u00e3o. Este caminho \u00e9 o que costumo usar em sentido oposto numa grande caminhada que fa\u00e7o na serra do Ger\u00eas quando quero visitar as Minas de Carris seguidas das Minas das Sombras. Quando chego \u00e0 estrada QR-312 e verifico o GPS percebo que estamos fora de rota h\u00e1 talvez uns 200 metros. Voltamos para tr\u00e1s at\u00e9 encontrarmos uma seta da Geira que obriga a uma curva de quase 180 graus para seguir o caminho correto.<\/p>\n\n\n\n<p>O Peter j\u00e1 nos tinha entretanto passado a perna e pass\u00e1mos por ele novamente. Em jeito de brincadeira pergunta-me se o meu nome \u00e9 Norberto, pois recorda-se das fotos que o Jos\u00e9 Almeida (presidente da junta da uni\u00e3o de freguesias que inclui Caldelas) publicou recentemente.<\/p>\n\n\n\n<p>O trilho come\u00e7a gradualmente a ficar mais exposto ao sol. Ainda \u00e9 cedo, mas percebe-se que o dia vai ficar bem quente.<\/p>\n\n\n\n<p>Vou encontrando v\u00e1rias ru\u00ednas romanas ao longo do trilho, mas creio que as mais interessantes do dia s\u00e3o mesmo uns antigos banhos romanos, com muita constru\u00e7\u00e3o preservada, designados por Mansio Romana aquis originis.<\/p>\n\n\n\n<p>Estou praticamente em Ba\u00f1os. As setas amarelas sugerem seguir pelo monte acima, mas com muito tempo de sobra decidi descer um pouco mais e visitar as famosas termas de \u00e1gua quente e experimentar a \u00e1gua quente da piscina de acesso livre. \u00c9 por esta altura que o Francisco chega e se faz \u00e0 \u00e1gua fria do rio, como tanto aprecia.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegou o momento de enfrentar o desafio final do dia. Faltam agora cerca de 6 quil\u00f3metros at\u00e9 Lobios, mas temos uma consider\u00e1vel subida de 4 quil\u00f3metros para fazer at\u00e9 descer finalmente para Lobios. Esta sec\u00e7\u00e3o segue por onde j\u00e1 temos vindo a caminhar h\u00e1 algum tempo, uma parte da grande rota \u00abCamino Natural Interior da Via Nova\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de suar pelo trilho acima, j\u00e1 com o sol a aquecer bem e com pouca vegeta\u00e7\u00e3o no trilho, comecei a descida. Lobios j\u00e1 est\u00e1 \u00e0 vista, pelo que a motiva\u00e7\u00e3o est\u00e1 em altas. Sigo a bom ritmo at\u00e9 alcan\u00e7ar as primeiras casas da vila e avistar o hotel Lusitano onde vou dormir hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Lobios \u00e9 uma pacata vila, bem fornecida de servi\u00e7os b\u00e1sicos, incluindo supermercados. Dado que amanh\u00e3 \u00e9 domingo, a probabilidade de encontrar algum minimercado aberto nas pequenas povoa\u00e7\u00f5es por onde vou passar \u00e9 diminuta, e aparentemente em Castro Laboreiro tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 nada que me possa valer no domingo. Decidi por isso fazer umas compras para ter algo que morder durante as pr\u00f3ximas duas etapas. Mais peso \u00e0s costas, s\u00f3 para o corpo n\u00e3o se habituar mal <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"><\/p>\n\n\n\n<p>Para amanh\u00e3 espera-nos uma etapa mais curta (21.5 quil\u00f3metros) mas seguramente mais dif\u00edcil (850 metros de desnivel positivo vs os 500 metros de hoje). A ver se madrugo para aproveitar bem o fresco da manh\u00e3!<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-image aligncenter uagb-block-bd2904ce wp-block-uagb-image--layout-default wp-block-uagb-image--effect-static wp-block-uagb-image--align-center\"><figure class=\"wp-block-uagb-image__figure\"><img decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-03.jpg ,https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-03.jpg 780w, https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-03.jpg 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 150px\" src=\"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-03.jpg\" alt=\"\" class=\"uag-image-3946\" width=\"526\" height=\"701\" title=\"rumo-a-santiago-03\" loading=\"lazy\" role=\"img\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Etapa 4 (dia 4@Geira): Lobios &#8211; Castro Laboreiro<\/h2>\n\n\n\n<p>A etapa de hoje, quando comparada com outras etapas, tinha relativamente poucos quil\u00f3metros. Desde Lobios at\u00e9 Castro Laboreiro seria um pouco mais de 21 quil\u00f3metros, pelo que n\u00e3o havia grandes pressas.<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer forma, para n\u00e3o perder o ritmo e aproveitar bem o tempo fresco da manh\u00e3, \u00e0s 7h00 em ponto estava a sair do alojamento de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Tinha combinado com o Francisco, que pontual\u00edssimo saiu exatamente \u00e0 <a><\/a>mesma hora.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7amos por descer em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 ponte sobre o rio Limia. Logo a seguir \u00e0 ponte h\u00e1 uma ligeira confus\u00e3o com as indica\u00e7\u00f5es, pois as setas parecem apontar para onde n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda. Na realidade o trilho segue pelo monte acima mesmo por tr\u00e1s da bomba de combust\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui encontramos a primeira subida do dia, 100 metros em dois quil\u00f3metros, no tamb\u00e9m primeiro trilho de terra. A subida leva-nos at\u00e9 a uma aldeia chamada A Feira Vella, onde voltamos ao alcatr\u00e3o para n\u00e3o mais o largar at\u00e9 chegar a Entrimo (v\u00e1, h\u00e1 um carreiro ou outro do g\u00e9nero de atalho l\u00e1 pelo meio).<\/p>\n\n\n\n<p>Um pouco depois de Entrimo \u00e9 que esta etapa se torna interessante. Abandonei a estrada para come\u00e7ar a subir a Corga do Meng\u00e1n. L\u00e1 pelo meio da zona de floresta passei por um ou outro aglomerado de casas, mas esta parte do percurso \u00e9 feita essencialmente \u00e0 sombra.<\/p>\n\n\n\n<p>A ponte do Fol\u00f3n sobre o rio Agro (uma pequena ponte feita de blocos compridos de granito dispostos na horizontal) permite observar a corrente do rio que torna a envolvente ainda mais bonita.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7a agora a segunda subida (digna desse nome) do dia. Vamos dos 460 metros at\u00e9 aos 780 metros em cerca de 3.5 quil\u00f3metros, onde me esperam v\u00e1rios quil\u00f3metros num planalto descrito por muitos por \u00abpaisagem lunar\u00bb. Aqui o carreiro deu lugar a um amplo estrad\u00e3o onde a vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 mais rasteira (imensa urze, h\u00e1 dois meses isto estaria pintado de rosa por todo o lado), em que o horizonte est\u00e1 todo ladeado a quase 360 graus por montanha.<\/p>\n\n\n\n<p>O estrad\u00e3o segue at\u00e9 \u00e0 fronteira com Portugal, na Ameixoeira ou Ameijoeira, n\u00e3o estou certo do nome em Portugu\u00eas). \u00c0 minha direita v\u00ea-se um edificio que corresponde ao antigo posto fronteiri\u00e7o da guardia civil, mas o Caminho segue por um carreiro que desce para o bosque.<\/p>\n\n\n\n<p>Umas centenas mais \u00e0 frente alcan\u00e7o a capela do Senhor da Boa Morte, anunciando j\u00e1 terras lusas. Ainda ponderei parar ali para uma pequena pausa para comer, mas h\u00e1 algo que me diz para seguir. E assim foi, continuo pela direita da capela e uns 800 metros mais adiante percebo a voz interior que me fez decidir n\u00e3o parar na capela: tenho \u00e0 minha frente uma grande piscina natural, bel\u00edssima, em pleno rio Laboreiro, que se n\u00e3o fosse a \u00e1gua gelada teria convidado a um belo mergulho.<\/p>\n\n\n\n<p>O Francisco estava a meio da ponte met\u00e1lica sobre o rio, como que em reflex\u00e3o se deveria ou n\u00e3o fazer-se \u00e0 \u00e1gua. Creio que a temperatura n\u00e3o est\u00e1 nem ao n\u00edvel do que o Francisco considera razo\u00e1vel, habituado \u00e0s \u00e1guas geladas do mar no norte do pa\u00eds <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"> .<\/p>\n\n\n\n<p>O Francisco seguiu viagem e eu parei uns 10 minutos para agora sim comer a minha pe\u00e7a de fruta e apreciar a envolvente. Esta zona ser\u00e1 provavelmente palco de uma das pr\u00f3ximas caminhadas que tenho organizado com amigos, pelo que o regresso a este pequeno para\u00edso estar\u00e1 para breve.<\/p>\n\n\n\n<p>Continuo trilho acima, cruzando-me uma vez ou outra com \u00e1gua e sempre num bel\u00edssimo carreiro que contribui para a espetacularidade da etapa de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Alcancei finalmente a ponte da Cava da Velha. J\u00e1 por aqui tinha andado h\u00e1 mais de 9 anos, quando decidi desafiar um amigo a atravessar o PNPG em autonomia total desde Castro Laboreiro at\u00e9 Cabril. A ponte \u00e9 inconfund\u00edvel, mas tenho a ideia que o trilho que acabei de subir tamb\u00e9m fez parte dessa aventura. Algo para esclarecer quando regressar a casa <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"> .<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o atravesso a ponte, para meu desapontamento, uma vez que as setas amarelas pedem para seguir em frente. Poucos metros depois j\u00e1 estou em alcatr\u00e3o, na M160, e apesar de a indica\u00e7\u00e3o da GR50 em dire\u00e7\u00e3o a Castro Laboreiro seja tentadora por decerto n\u00e3o incluir estrada, a dist\u00e2ncia superior e tamb\u00e9m a m\u00e1xima de \u00abCaminho \u00e9 Caminho\u00bb, que significa que tento sempre seguir de forma o mais fiel poss\u00edvel as indica\u00e7\u00f5es do Caminho, sigo pela M160.<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u00faltimos 1.5 quil\u00f3metros guarda uma surpresa para os peregrinos. Temos aqui uma valente subida at\u00e9 Castro Laboreiro que em dias de maior calor deve abafar qualquer um. Valeu o facto de ter chegado aqui bastante cedo (pouco passava das 11h), pelo que o sol ainda n\u00e3o fazia de mim um belo grelhado.<\/p>\n\n\n\n<p>Estou finalmente em Castro Laboreiro. A estadia \u00e9 pelo hotel Castrum Villae, por nenhuma raz\u00e3o em particular para al\u00e9m de ter sido aqui que fiquei em 2015 (para iniciar a tal aventura). Por aqui tamb\u00e9m est\u00e1 o grupo da Rep\u00fablica Checa, que muito me tem espantado por resistirem \u00e0 dureza deste trilho, mesmo despachando diariamente as mochilas.<\/p>\n\n\n\n<p>O jantar ser\u00e1 no hotel Mira Castro, um dos hot\u00e9is recomendados para quem faz o Caminho da Geira e Arrieiros e que parece ter uma cozinha regional irrepreens\u00edvel. Daqui a pouco vou confirmar isso <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"> .<\/p>\n\n\n\n<p>Fica ainda por explorar o trilho at\u00e9 ao castelo, que deixarei para a caminhada que organizarei por estas bandas. Para j\u00e1 ainda tenho muitos quil\u00f3metros pela frente e h\u00e1 que poupar as pernas.<\/p>\n\n\n\n<p>Amanh\u00e3 voltarei a Espanha para l\u00e1 ficar em definitivo at\u00e9 Santiago. O destino \u00e9 Cortegada, numa etapa em que n\u00e3o s\u00e3o as subidas que reinam (ainda que conte com um desn\u00edvel positivo de cerca de 480 metros), mas sim as descidas (1200 metros de desnivel negativo). Os joelhos j\u00e1 doem s\u00f3 de ver o n\u00famero!<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Etapa 5 (dia 5 @Geira): Castro Laboreiro &#8211; Cortegada<\/h2>\n\n\n\n<p>O despertar de hoje foi \u00e0s 6h00, um pouco antes do que tinha programado no despertador. Afinal de contas a \u00abbox\u00bb do pequeno almo\u00e7o s\u00f3 seria disponibilizada \u00e0s 7h00, pelo que n\u00e3o havia grande pressa para come\u00e7ar o dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Recolhi o saco com uma pequena sele\u00e7\u00e3o de itens, que aproveitei para comer ainda no hotel, na varanda do quarto, enquanto admirava a paisagem.<\/p>\n\n\n\n<p>No exterior do hotel o grupo de peregrinos <a><\/a>checos come\u00e7ava a mobilizar-se. O percurso da etapa de hoje passa mesmo ao lado do hotel, partilhando o in\u00edcio do seu percurso com a nossa GR50 (que na realidade tem coincidido com o Caminho em diversos locais).<\/p>\n\n\n\n<p>Sa\u00ed por volta das 7h15, quando por ali passavam outros caminheiros mais dedicados a uma PR.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim que passo pelo \u00faltimo edif\u00edcio de Castro Laboreiro, passo a caminhar num estrad\u00e3o. Um marco cheio de indica\u00e7\u00f5es de percursos de caminhada marca tamb\u00e9m o desvio para a direita para continuar o Caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 aqui que come\u00e7o a ver os primeiros peregrinos do grupo checo, que tinham aproveitado um cruzeiro para comerem o pequeno almo\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Abandono o estrad\u00e3o para seguir por um carreiro com uma inclina\u00e7\u00e3o acentuada, que me leva a passar a ponte das Veigas. Quem preferir seguir pelo conforto do estrad\u00e3o pode faz\u00ea-lo, dado que se unem novamente mais \u00e0 frente.<\/p>\n\n\n\n<p>Umas centenas de metros mais adiante est\u00e1 a zona de lazer das Veigas. Tudo aparenta estar fechado, pelo que n\u00e3o sei se o usufruto deste equipamento \u00e9 a pedido ou se est\u00e1 restrito a alturas espec\u00edficas do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui come\u00e7a a primeira parte interessante da etapa de hoje. Sigo por um carreiro relativamente t\u00e9cnico, com piso claramente martirizado pela \u00e1gua que por ali corre no inverno. Por aqui est\u00e1 tamb\u00e9m a guia do grupo checo, que tenta gerir da melhor forma o ritmo muito d\u00edspar do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por aqui que me encontro com o Francisco e com uma peregrina do grupo checo. Durante o dia de hoje estes encontros foram muito frequentes, dado que temos todos um ritmo de caminhada muito similar.<\/p>\n\n\n\n<p>Passada a aldeia da Portelinha, novo trilho t\u00e9cnico onde ainda h\u00e1 alguma lama destas \u00faltimas chuvadas e a \u00e1gua corre pelo trilho abaixo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 no final deste carreiro que deixo Portugal para tr\u00e1s. A Azoreira \u00e9 a primeira povoa\u00e7\u00e3o a denunciar o espa\u00e7o galego, pois n\u00e3o dei conta de nenhum marco fronteiri\u00e7o na linha de fronteira.<\/p>\n\n\n\n<p>Chega agora o momento de deixar tamb\u00e9m para tr\u00e1s os caminhos de terra. Daqui para a frente, salvo uma ou outra excep\u00e7\u00e3o, a grossa maioria do percurso \u00e9 feita por asfalto. Ainda que a vista para o vale seja bonita, que \u00e9 ainda mais embelezada com um espesso nevoeiro que atravessaremos mais tarde, a quantidade absurda de estrada que esta etapa tem contrasta imenso com o que t\u00eam sido as \u00faltimas etapas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m aqui que come\u00e7amos a perceber a confus\u00e3o que h\u00e1 com o Cami\u00f1o Ribeiro Minhoto e Caminho da Geira e Arrieiros. As \u00fanicas indica\u00e7\u00f5es identificadas s\u00e3o do CMR, mas encontrei em mais do que uma ocasi\u00e3o setas amb\u00edguas que tudo indica que se trata de tentativas de sabotagem do CGA. Nem os locais percebem estas guerrilhas, que acabam por prejudicar mais do que ajudar.<\/p>\n\n\n\n<p>Num dos pontos vemos setas CMR a seguir para a direita e outras setas amarelas a indicar para a esquerda, no que me parece ir ter a uma aldeia chamada Lapela, numa volta substancial (em particular em desce e sobe).<\/p>\n\n\n\n<p>Segui por imensos quil\u00f3metros por alcatr\u00e3o at\u00e9 chegar a Monterredondo. Vejo logo ali umas mesas de pedra, que me pareceram lugar adequado para comer uma pe\u00e7a de fruta.<\/p>\n\n\n\n<p>No final desta localidade est\u00e1 outra grande ratoeira: as setas indicam em frente pelo alcatr\u00e3o, mas o track manda virar \u00e0 esquerda por um caminho de terra. Prestem mesmo muita aten\u00e7\u00e3o, pois se n\u00e3o seguirem o track v\u00e3o perder um dos pontos altos (literalmente) do dia, a Capela de S\u00e3o Miguel com umas vistas panor\u00e2micas espetaculares.<\/p>\n\n\n\n<p>O trilho come\u00e7a por subir de forma impiedosa, mas \u00e9 na descida um pouco antes da capela que tive a recompensa: um cervideo a atravessar o trilho a umas dezenas de omde eu estava.<\/p>\n\n\n\n<p>As poucas ocasi\u00f5es em que nos cruzamos com obra edificada, \u00e9 por norma complexos industriais como \u00e9 o caso de um complexo perto de Trado.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais alcatr\u00e3o e agora uma longa ponte sobre o rio Deva (afluente do rio Minho que tamb\u00e9m se v\u00ea aqui ao longe).<\/p>\n\n\n\n<p>Entre caminhos e alcatr\u00e3o, l\u00e1 me vou aproximando de Cortegada, onde acabei por chegar por volta das 15h locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por azar (ou sorte), houve um problema no quarto onde eu era suposto ficar, na casa do Conde (alojamento rural de elei\u00e7\u00e3o) . Com a casa cheia com os peregrinos checos, n\u00e3o havia alternativa para os propriet\u00e1rios que n\u00e3o passe por alojarem-me num outro edif\u00edcio. Ora sucede que para al\u00e9m de ter um quarto gigantesco s\u00f3 para mim, tenho tamb\u00e9m \u00e0 minha disposi\u00e7\u00e3o uma bela piscina. Para mais a casa tem neste momento apenas outros dois h\u00f3spedes, que s\u00e3o trabalhadores e portanto ausentes no momento em que l\u00e1 cheguei.<\/p>\n\n\n\n<p>Escusado ser\u00e1 dizer que usufru\u00ed de tudo a que tinha direito e da\u00ed a hora de publica\u00e7\u00e3o deste resumo <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"><\/p>\n\n\n\n<p>O jantar de hoje foi tamb\u00e9m uma aventura. A maioria dos peregrinos checos n\u00e3o fala sequer ingl\u00eas, e os propriet\u00e1rios do bar onde comemos n\u00e3o parecem falar outra l\u00edngua que n\u00e3o o castellano. O problema fica rapidamente resolvido comigo a traduzir de castellano para ingl\u00eas e uma peregrina Checa a traduzir de ingl\u00eas para checo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para amanh\u00e3 tenho cerca de 33 quil\u00f3metros at\u00e9 Pazos de Arenteiro. Em Beran irei ultrapassar a barreira dos 100 quil\u00f3metros que faltam para Santiago, onde na realidade fui convidado a ficar com a ajuda de um Amigo do Caminho que por ali vive.<\/p>\n\n\n\n<p>Podia ficar em em Beran, mas o esfor\u00e7o extra desta etapa vai compensar no dia seguinte, encurtando bastante a dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Etapa 6: Cortegada &#8211; Pazos de Arenteiro<\/h2>\n\n\n\n<p>A noite de hoje foi curta. Como alguns devem ter percebido pela hora a que publiquei a cr\u00f3nica de ontem, a hora de descanso j\u00e1 foi pr\u00f3ximo da 1h da madrugada. J\u00e1 a alvorada foi \u00e0s 6h00, pois para al\u00e9m de ter uma etapa muito longa pela frente (creio que \u00e9 a mais longa que planeei dentro das etapas do Caminho da Geira e Arrieiros), para hoje os meus planos contemplavam um pequeno almo\u00e7o de quentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Como <a><\/a>deixei praticamente tudo arrumado na mochila, n\u00e3o foi preciso muito tempo at\u00e9 estar de volta dos tachos. O menu de hoje incluiu ovos mexidos e salada de tomate <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"> .<\/p>\n\n\n\n<p>Sa\u00ed de casa por volta das 7h08. Tinha a op\u00e7\u00e3o de seguir por um atalho que apanharia o Caminho perto da casa onde dormi, mas isso excluiria uma parte da etapa de hoje que fazia quest\u00e3o de percorrer. Decidi por isso descer at\u00e9 ao centro de Cortegada e apanhar o Caminho onde o deixei ontem. No final acabei por somar mais 1.4 quil\u00f3metros \u00e0 etapa de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de Cortegada passei numa aldeia com um nome muito sui generis (Rabi\u00f1o) e de certo modo adequado ao que se passa ali com as marca\u00e7\u00f5es do Caminho. Sucede que um pouco antes desta aldeia as marca\u00e7\u00f5es do Caminho Minhoto Ribeiro levam-nos por estrada, enquanto que o Caminho da Geira e Arrieiros leva-nos por um agrad\u00e1vel trilho que desce at\u00e9 um ribeiro. Ora nos v\u00e1rios postes da aldeia, onde outrora estavam setas amarelas a indicar o Caminho da Geira e Arrieiros, est\u00e3o agora pinturas acinzentadas que s\u00e3o claras tentativas de ocultar as setas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 sa\u00edda de Rabi\u00f1o outra dificuldade de navega\u00e7\u00e3o: o Caminho Minhoto Ribeiro segue pela estrada, enquanto que o Caminho da Geira \u00e9 suposto subir por monte por caminhos paralelos \u00e0 OU-402, \u00e0 qual me juntarei mais tarde ap\u00f3s uma \u00edngreme descida at\u00e9 Merens. N\u00e3o vi indica\u00e7\u00f5es para o caminho, mas o GPS ajudou quando era preciso.<\/p>\n\n\n\n<p>A chegada a Merens \u00e9 espetacular. Temos uma vista panor\u00e2mica com a montanha ao fundo que \u00e9 deslumbrante.<\/p>\n\n\n\n<p>Continuei a descida pela povoa\u00e7\u00e3o at\u00e9 voltar \u00e0 estrada que tinha deixado h\u00e1 um bocado. Novamente ponto de ambiguidade: o CMR segue pelo alcatr\u00e3o enquanto que o CGA convida a descer por um caminho alcatroado que segue junto ao rio Minho.<\/p>\n\n\n\n<p>Daqui ate Ribadavia s\u00e3o cerca de 10 quil\u00f3metros por esse caminho alcatroado. Para al\u00e9m de ser um percurso muito f\u00e1cil de fazer fisicamente, estamos pouco acima do n\u00edvel da \u00e1gua do rio Minho, o que permite observar o espelho de \u00e1gua bel\u00edssimo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ribadavia \u00e9 uma localidade muito pitoresca que merece seguramente uma visita mais detalhada. Por aqui passa o rio Avia, afluente do Minho, e que como em qualquer outra cidade com um rio digno desse nome torna a cidade ainda mais bonita, dado que a margem direita do rio est\u00e1 toda arranjada.<\/p>\n\n\n\n<p>Um pouco antes do centro, h\u00e1 que atravessar uma malha florestal. Novamente o GPS revela-se uma ajuda essencial, dado que s\u00f3 por a\u00ed consegui saber por onde tinha de seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>Por esta altura j\u00e1 tinha quase 16 quil\u00f3metros feitos. Vim com um ritmo bastante certo para aproveitar bem todo o percurso plano, pois numa etapa de 35 quil\u00f3metros onde h\u00e1 umas quantas subidas para tentar fazer sem ter de caminhar sob um sol intenso, obriga ou a madrugar muito (coisa que n\u00e3o d\u00e1 para fazer muito mais sob pena de ter de caminhar no escuro), ou a acelerar o passo onde for poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Decidi por isso parar junto \u00e0 uma igreja para descansar um pouco e comer um lanche r\u00e1pido. Sem querer parei mesmo ao lado da igreja de Santiago, muito apropriado dadas as circunst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>Daqui at\u00e9 Beran tenho agora uma subida tendencialmente cont\u00ednua para fazer. Mesmo sendo cedo, o calor j\u00e1 se faz sentir, mas vou subindo a par e passo sem dificuldades de maior.<\/p>\n\n\n\n<p>Beran marca os 100 quil\u00f3metros para Santiago. Imagino que no futuro seja um ponto de interesse para os peregrinos que n\u00e3o t\u00eam muitos dias para fazer um Caminho, tanto que h\u00e1 j\u00e1 trabalho a ser feito para termos ali um albergue de Peregrinos que renascer\u00e1 das \u00abcinzas\u00bb da umas ruinas que est\u00e3o a ser reconstru\u00eddas.<\/p>\n\n\n\n<p>Termina tamb\u00e9m assim a segunda grande subida do dia. Andarei ainda alguns quil\u00f3metros em floresta num trilho relativamente plano, at\u00e9 passar pela pedreira onde logo que chego \u00e0 estrada des\u00e7o em dire\u00e7\u00e3o a Lebosende. Nesta descida h\u00e1 tamb\u00e9m alguma confus\u00e3o nas indica\u00e7\u00f5es, pois logo a seguir \u00e0 placa com o nome da localidade h\u00e1 umas setas recentes que indicam o Caminho pela esquerda. Ainda segui por a\u00ed na expectativa de ser um percurso mais recente, mas sem saber ao certo se chegaria \u00e0 igreja de S\u00e3o Miguel de Lebosende, acabei por voltar para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Faltam agora os quil\u00f3metros finais. A etapa de hoje \u00e9, dum modo geral, extremamente bonita, mas este final junta um ou dois pormenores de requinte. Para j\u00e1 a floresta \u00e9 lind\u00edssima e a uns 2 ou 3 quil\u00f3metros de Pazos de Arenteiro encontramos uma aldeia ancestral abandonada, a aldeia de Vi\u00f1oa.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes dessa aldeia h\u00e1 tamb\u00e9m um ponto deveras curioso, uma velha casa habitada por um eremita, poeta, que l\u00e1 vive h\u00e1 10 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em conversa com o Ramiro (sono do alojamento rural), percebi que esteve ocupada noutros tempos por uma ordem semelhante aos Templ\u00e1rios e que se dedicavam \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de vinho e posterior transporte para Santiago de Compostela para distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Passada a aldeia, pouco resta at\u00e9 ao destino de hoje. O percurso dentro da floresta termina virando \u00e0 esquerda onde est\u00e3o uns degraus de pedra que ajudam a descer o desn\u00edvel acentuado. Uns metros mais adiante sa\u00ed da floresta para atravessar OU-414, atravessando logo de seguida uma ponte sobre o rio Avia.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 estou em Pazos de Arenteiro. O local onde pernoito hoje \u00e9 uma casa rural chamada \u00abAldea Rural Pazos de Arenteiro\u00bb. Foi f\u00e1cil perceber porque \u00e9 que \u00e9 \u00abaldea\u00bb e n\u00e3o \u00abcasa\u00bb, pois o alojamento \u00e9 composto por diversas casas de uma zona da aldeia que o propriet\u00e1rio tem vindo a reconstruir aos poucos para criar este espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dos peregrinos checos j\u00e1 por aqui estavam, pois o Caminho da Geira e Arrieiros tem sido duro para eles e hoje a etapa foi feita ou parcialmente (desde Ribadavia) ou totalmente de t\u00e1xi. N\u00e3o sei como ir\u00e1 correr amanh\u00e3, mas sabendo que \u00e9 a etapa mais dif\u00edcil deste Caminho, mesmo com a dist\u00e2ncia mais reduzida (cerca de 19 quil\u00f3metros), suspeito que v\u00e3o abafar pelo caminho <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"><\/p>\n\n\n\n<p>Passado algum tempo o Ramiro surge para me levar at\u00e9 ao meu quarto, que fica num outro edif\u00edcio. Como disse acima, o alojamento \u00e9 composto por v\u00e1rias casas e para chegar at\u00e9 \u00e0 minha temos de passar por algumas ru\u00ednas, que \u00e9 um pouco estranho ao princ\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>Sucede que hoje havia tamb\u00e9m um problema com o meu quarto, que o Ramiro n\u00e3o se tinha apercebido. Depois de tentar perceber se haveria mais algum quarto dispon\u00edvel ele respondeu afirmativamente, mas com o \u00absen\u00e3o\u00bb de que era nada mais nada menos do que uma suite <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"><\/p>\n\n\n\n<p>Contas feitas, pelo mesmo valor que havia acordado para o quarto inicial ele disponibilizou-me aquele que provavelmente \u00e9 o quarto mais pitoresco do alojamento, claramente muito acima do que eu preciso para uma noite de descanso, mas que n\u00e3o deixa de ser uma experi\u00eancia \u00edmpar.<\/p>\n\n\n\n<p>O Ramiro \u00e9 uma pessoa muito descontra\u00edda para quem est\u00e1 tudo bem, sempre nas calmas, e a forma como resolveu este tema foi um reflexo dessa postura. Da minha parte s\u00f3 lhe tenho a agradecer, bem como ao Caminho que tem providenciado mais do que eu esperaria j\u00e1 em mais do que uma ocasi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tivemos finalmente a nossa primeira ceia comunit\u00e1ria. Eu, o Francisco e o grupo de Peregrinos checos reunimo-nos na sala de refei\u00e7\u00f5es para um manjar delicioso que teve de tudo. O Ramiro foi o cozinheiro de servi\u00e7o, que comentou que apenas abre a cozinha para peregrinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Boa comida, boa bebida, e uma conversa de ser\u00e3o com alguns checos com a ajuda de uma das peregrinas que consegue falar ingl\u00eas, e est\u00e1 o esp\u00edrito de comunh\u00e3o do Caminho presente. N\u00e3o contava encontrar isso neste Caminho, mas mais cedo ou mais tarde a velha m\u00e1xima de \u00abpodes come\u00e7ar sozinho, mas nunca estar\u00e1s sozinho no Caminho\u00bb acaba sempre por se verificar.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pequena nota de aviso: o sinal de rede m\u00f3vel por aqui \u00e9 muito fraco. H\u00e1 uma rede Wi-Fi na sala de refei\u00e7\u00f5es, mas na casa onde fiquei as paredes espessas impedem at\u00e9 por vezes a passagem de sinal da rede m\u00f3vel, pelo que preparem-se para estarem eventualmente incontact\u00e1veis momentaneamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Etapa 7 (dia 7@Geira): Pazos de Arenteiro &#8211; Beariz<\/h2>\n\n\n\n<p>Com este dia completo uma semana de Caminho. Ainda falta mais uma semana e um dia para terminar o meu Caminho, o que significa que amanh\u00e3 estarei a meio (em n\u00famero de dias).<\/p>\n\n\n\n<p>Tinha planeado come\u00e7ar cedo, mas com o tempo cada vez mais curto para a escrita, voltei a deitar-me tarde ontem \u00e0 noite. Embora tenha acordado por volta das 6h00, estive a terminar a escrita da cr\u00f3nica de ontem e a produ\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo, <a><\/a>pelo que acabei por ir buscar a minha parte da box do pequeno almo\u00e7o que tinha ficado no quarto do Francisco e descansei um pouco mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Eram cerca de 8h10 quando iniciei a etapa de hoje. Segui at\u00e9 \u00e0 primeira casa que tinha visto da Aldea Rural e continuei por uma rua que come\u00e7a logo a subir.<\/p>\n\n\n\n<p>A subida \u00e9 curta e rapidamente d\u00e1 lugar a uma estrada que desce at\u00e9 Sal\u00f3n. \u00c9 aqui que come\u00e7a a \u00abfesta\u00bb, logo com uma forte subida \u00e0 direita por um caminho estreito que est\u00e1 pavimentado com bet\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse bet\u00e3o acaba por dar lugar a um trilho de terra, onde l\u00e1 pelo meio est\u00e1 um banco de autom\u00f3vel perdido. Deduzo que n\u00e3o esteja ali por mais motivo algum que n\u00e3o seja pela oportunidade de fazer umas palha\u00e7adas em frente a uma c\u00e2mara, pelo que assim fiz <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"><\/p>\n\n\n\n<p>Um pouco antes da aldeia de Iglesario o caminho volta a ser pavimentado com bet\u00e3o, que depressa passa a uma estrada de alcatr\u00e3o que serpenteia por entre as casas da aldeia. Curiosamente muitas das casas por aqui t\u00eam muita pinta, pelo que embora remota, percebe-se que h\u00e1 por esta zona muitas habita\u00e7\u00f5es um pouco fora do que \u00e9 normal ver por estas bandas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ponto a reter: enquanto subimos a estrada sinuosa ainda dentro da aldeia, o Caminho Minhoto Ribeiro e o nosso Caminho da Geira e Arrieiros divergem substancialmente. A sinal\u00e9tica aponta em frente pela estrada, dando a entender que dever\u00e1 ir at\u00e9 O Regueiro para depois mais tarde se juntar novamente ao CGA. O CGA continua pela direita, sempre a subir.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira grande subida est\u00e1 praticamente feita quando est\u00e3o cumpridos cerca de 5.5 quil\u00f3metros. Estou agora em Paredes (n\u00e3o sei se o nome foi propositado por causa da orografia da zona, mas bate certo), onde est\u00e1 uma pequena capela e uns 3 ou 4 bancos de jardim perfeitos para quem quiser recuperar da subida.<\/p>\n\n\n\n<p>Continuei pela rua durante mais uns 15 minutos at\u00e9 chegar \u00e0 estrada OUR-CV-305. Sigo por essa estrada at\u00e9 alcan\u00e7ar a periferia da aldeia de Vilacha. Outra nota de sinaliza\u00e7\u00e3o: a placa do Caminho Minhoto Ribeiro aponta para a direita, para provavelmente passar bem pelo meio da aldeia. Eu segui em frente pela estrada onde estava, seguindo as marca\u00e7\u00f5es do CGA.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo a seguir a um parque infantil \u00e9 altura de abandonar a estrada por um pequeno atalho de terra que vai ter a uma estrada secund\u00e1ria alcatroada. Bastar\u00e1 caminhar uns 70 ou 80 metros at\u00e9 seguir pela esquerda por um caminho de terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Conv\u00e9m agora ir com aten\u00e7\u00e3o, pois surgir\u00e1 um outro caminho \u00e0 esquerda, cheio de erva por esta altura do ano, para o qual \u00e9 preciso virar.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de algumas voltas pela floresta, voltei \u00e0 estrada principal que tinha abandonado h\u00e1 pouco tempo. A tend\u00eancia desde que entrei na estrada principal logo a seguir a Paredes \u00e9 de descer, mas isso depressa termina assim que cheguei a Feas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 a primeira povoa\u00e7\u00e3o onde podem eventualmente tomar um caf\u00e9. Assim que chegam \u00e0 estrada nacional OU-0415 podem virar \u00e0 direita em vez de seguirem em frente. L\u00e1 ao fundo est\u00e1 um antigo bar, que de momento n\u00e3o est\u00e1 aberto, mas costuma estar por l\u00e1 a propriet\u00e1ria que oferece caf\u00e9 e alguns doces a titulo de donativo para quem quiser.<\/p>\n\n\n\n<p>Feas marca o in\u00edcio da segunda grande subida do dia. H\u00e1 que subir dos 500 metros at\u00e9 aos 900 metros em 4 quil\u00f3metros. A subida est\u00e1, de certo modo, dividida em duas partes, j\u00e1 que passados cerca de 2 quil\u00f3metros ap\u00f3s Feas a inclina\u00e7\u00e3o acalma um pouco. Os mais en\u00e9rgicos podem fazer um desvio \u00e0 direita para visitarem um miradouro com uma vista panor\u00e2mica sobre o vale onde Feas est\u00e1, bem l\u00e1 do cimo do monte. Eu fiz este desvio e se se sentirem em forma, vale a pena. Al\u00e9m do mais depois n\u00e3o h\u00e1 necessidade de voltar ao ponto onde divergiram, podem seguir pelo caminho de terra que ele volta a juntar-se com a estrada.<\/p>\n\n\n\n<p>A pendente volta a ser mais intensa. H\u00e1 que continuar a subir a estrada at\u00e9 praticamente ao ponto mais alto do dia (803 metros), onde deixamos a estrada de alcatr\u00e3o virando para um estrad\u00e3o de terra que segue pela esquerda. Novamente, aqui h\u00e1 uma bifurca\u00e7\u00e3o de percursos, pois o Caminho Minhoto Ribeiro segue pela estrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora restam cerca de 5.5 quil\u00f3metros at\u00e9 ao destino do dia. Nada mais h\u00e1 a fazer sen\u00e3o ir descendo gradualmente pelo estrad\u00e3o seguindo as marca\u00e7\u00f5es mais do que claras.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 ao fundo j\u00e1 se avistam duas povoa\u00e7\u00f5es distintas, Magros e Beariz, pelo que o final est\u00e1 pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um pouco antes da aldeia de Magros o Caminho segue por um trilho de bosque muito bonito. A mistura da vegeta\u00e7\u00e3o verdejante e da \u00e1gua que se faz ouvir \u00e9 muito agrad\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em Magros h\u00e1 uma bifurca\u00e7\u00e3o de ruas onde n\u00e3o vi sinaliza\u00e7\u00e3o. Temos de seguir pela esquerda, o que faz sentido tendo em conta para onde nos queremos dirigir.<\/p>\n\n\n\n<p>Cheguei finalmente a Beariz. Por aqui vive-se muito o Caminho e logo na entrada da povoa\u00e7\u00e3o est\u00e1 uma est\u00e1tua alusiva ao Caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Devo dizer que pensei que a etapa ia ser muito mais dura do que na realidade foi. O facto de ter come\u00e7ado em Pazos de Arenteiro fez muita diferen\u00e7a, pelo que apesar de ser uma op\u00e7\u00e3o dispendiosa (pelo custo do alojamento e alimenta\u00e7\u00e3o na aldeia rural), compensa na gest\u00e3o de esfor\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segui as marca\u00e7\u00f5es at\u00e9 chegar pr\u00f3ximo do centro de sa\u00fade. Mais l\u00e1 \u00e0 frente na rua est\u00e1 o albergue onde vou pernoitar hoje. O s\u00edtio \u00e9 distinto de tudo o que encontrei at\u00e9 agora, pois est\u00e1 numa antiga casa de xisto agora reconstru\u00edda onde o antigo curral contempla o duche, o WC e uma zona de estendal de roupa, e o piso de cima a zona do quarto com 6 camas divididas em 3 beliches e uma zona de cozinha. \u00c9 um ambiente muito humilde mas que remonta \u00e0quilo que um peregrino espera encontrar.<\/p>\n\n\n\n<p>Este albergue \u00e9 iniciativa do Jos\u00e9 Balboa Rodr\u00edguez, escritor, fil\u00f3sofo e Cavaleiro da Ordem de Santiago (de acordo com o registo biogr\u00e1fico), mas que em outros tempos se dedicou \u00e0s grandes obras de constru\u00e7\u00e3o civil (fez parte de uma das equipas que trabalhou na constru\u00e7\u00e3o da Expo 98) e tamb\u00e9m na suinicultura (o porco celta, uma esp\u00e9cie em vias de extin\u00e7\u00e3o). Sei isto (e muito mais) porque tivemos a honra de conhecer e ouvir as hist\u00f3rias que o Jos\u00e9 gosta de partilhar com quem por aqui passa (eu, o Francisco e mais alguns peregrinos checos que se juntaram para participar na tert\u00falia).<\/p>\n\n\n\n<p>Estivemos \u00e0 conversa at\u00e9 quase \u00e0s 19h00, a hora de jantar. A ter em conta que por aqui n\u00e3o h\u00e1 nenhum local onde jantar, pelo menos no dia em que aqui estou. H\u00e1 um bar que serve uns \u00abpinchos\u00bb com as bebidas, mas nada mais do que isso, e o \u00fanico restaurante da zona (Mexicano de Beariz) s\u00f3 abre aos fins de semana.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sorte o grupo de checos est\u00e1 alojado na A Casa da Ana, onde a pedido fazem comida caseira a titulo privado no espa\u00e7o que era antigamente um caf\u00e9 c\u00e1 da aldeia. Eu e o Francisco juntamo-nos \u00e0 comitiva para aproveitar a \u00abboleia\u00bb, caso contr\u00e1rio hoje teria sido um jantar \u00e0 base de conservas (h\u00e1 uma mercearia pequena que faz parte do talho da aldeia).<\/p>\n\n\n\n<p>No final ainda houve direito a um pequeno brinde alusivo ao Caminho da Geira, que os checos adoraram.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do jantar fomos at\u00e9 ao \u00fanico bar existente e por l\u00e1 estava um senhor que depressa meteu conversa. Percebemos que era o presidente da c\u00e2mara c\u00e1 do s\u00edtio. Eis que ele entretanto contacta o Jos\u00e9 Balboa, que se junta rapidamente \u00e0 \u00abfesta\u00bb. Os momentos que se seguiram foram interessantes, com o Jos\u00e9 e o presidente da c\u00e2mara a distribu\u00edrem mais brindes por todos os peregrinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Curiosamente hoje era tamb\u00e9m o dia de anivers\u00e1rio do presidente da c\u00e2mara, que celebra 66 anos. A pedido do Jos\u00e9 Balboa os peregrinos checos cantaram os parab\u00e9ns na sua l\u00edngua materna <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"> . Posso adiantar que a melodia \u00e9 exatamente a mesma, mas da letra n\u00e3o posso dizer nada <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"><\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed a uns minutos o presidente da c\u00e2mara, que j\u00e1 tinha sa\u00eddo para ir jantar com a fam\u00edlia, regressou apetrechado com uma revista (uma esp\u00e9cie de livro) que editam com regularidade e ofereceu um exemplar a cada peregrino.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos por isso com a mochila, bem como a alma, mais cheia.<\/p>\n\n\n\n<p>O ser\u00e3o terminou cedo. Amanh\u00e3 temos novamente uma etapa longa (33 quil\u00f3metros), que creio que ser\u00e1 mais dif\u00edcil de gerir do que a de h\u00e1 dois dias, pois ao contr\u00e1rio dessa a etapa de amanh\u00e3 n\u00e3o tem nenhuma extens\u00e3o plana (ou sobe ou desce). Vai ser um dia bem preenchido por isso!<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-image uagb-block-ca8b285a wp-block-uagb-image--layout-default wp-block-uagb-image--effect-static wp-block-uagb-image--align-none\"><figure class=\"wp-block-uagb-image__figure\"><img decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-06.jpg ,https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-06.jpg 780w, https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-06.jpg 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 150px\" src=\"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-06.jpg\" alt=\"\" class=\"uag-image-3950\" width=\"600\" height=\"800\" title=\"rumo-a-santiago-06\" loading=\"lazy\" role=\"img\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Etapa 8 (dia 8@Geira): Beariz &#8211; Codeseda<\/h2>\n\n\n\n<p>A alvorada de hoje foi \u00e0 hora do costume. \u00c0s 6h da manh\u00e3 estava j\u00e1 desperto, mas a pregui\u00e7a manteve-me pela cama mais um pouco.<\/p>\n\n\n\n<p>Dia especial este e que j\u00e1 vai sendo tradi\u00e7\u00e3o comemorar no Caminho, dado que costumo estar por \u00abc\u00e1\u00bb nesta altura: 6 de Junho \u00e9 dia de S\u00e3o Norberto!<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Apesar de ter conseguido ir descansar um pouco mais cedo do que tem sido habitual, demorei algum tempo para pregar olho. O albergue tem um telhado provis\u00f3rio de telha-v\u00e3, que deixa passar tudo o que \u00e9 ru\u00eddo vindo de cima. Eu passei um tempo a ouvir o ru\u00eddo t\u00edpico de um animal a vaguear por cima do meu beliche, e at\u00e9 achei que poderia ser um roedor dentro do albergue.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o cheguei a perceber ao certo o que seria, mas dentro do edif\u00edcio n\u00e3o era. Desconfio que seria algum gato a caminhar por cima do telhado, \u00e0 procura de calor que emanasse de dentro da casa.<\/p>\n\n\n\n<p>O Francisco saiu uns 20 minutos antes de mim. Eu quis tomar um belo pequeno almo\u00e7o antes de meter fazer \u00e0 segunda mais longa etapa do Caminho da Geira, pelo que levei o meu tempo at\u00e9 sair por volta das 7h20.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco depois de sair da povoa\u00e7\u00e3o e de atravessar a estrada nacional est\u00e1 um grande cartaz que d\u00e1 nota de duas rotas poss\u00edveis a partir dali,uma por Barcia (que creio que \u00e9 a principal) e outra por Albite (mais longa 1.7km). Optei pela primeira, at\u00e9 porque \u00e9 a que consta do meu track GPS.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco depois do cruzamento h\u00e1 que virar \u00e0 direita por um caminho largo, com bastante vegeta\u00e7\u00e3o verde.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora sempre a subir, os primeiros 3 quil\u00f3metros n\u00e3o s\u00e3o dif\u00edceis de atacar. Ali\u00e1s, por essa altura o terreno at\u00e9 \u00e9 relativamente plano, pelo que o fresco da manh\u00e3 junto com isso permitem avan\u00e7ar a bom ritmo.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 ver as marca\u00e7\u00f5es t\u00eam sido exemplares, muito embora por volta dos 4 quil\u00f3metros h\u00e1 uma discrep\u00e2ncia entre o track GPS e a marca\u00e7\u00e3o no terreno, junto a uma esp\u00e9cie de bebedouro para animais. O track sobe \u00e0 direita por um outro caminho, enquanto que as marca\u00e7\u00f5es seguem pelo estrad\u00e3o, curvando \u00e0 esquerda. Decidi seguir pela esquerda, pela sinaliza\u00e7\u00e3o, pelo menos at\u00e9 onde o trajeto n\u00e3o divergisse muito do track.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade pouco depois a sinaliza\u00e7\u00e3o vira \u00e0 direita e rapidamente estou de novo sobre o track.<\/p>\n\n\n\n<p>Eram cerca de 8h25 quando apanhei o grupo de peregrinos checos, que tinham acabado de parar para uma pausa. Depois de um breve cumprimento segui viagem, sempre em frente. Na verdade deveria ter virado \u00e0 esquerda para seguir por um caminho paralelo \u00e0quele em que eu caminhava. Ainda voltei atr\u00e1s uns metros, mas a Katya (gu\u00eda do grupo checo) confirmou que poderia seguir por ali, que havia setas.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 7.5 quil\u00f3metros cheguei \u00e0 primeira povoa\u00e7\u00e3o do dia, Pardesoa. Tenho agora pela frente v\u00e1rios quil\u00f3metros por estrada, at\u00e9 alcan\u00e7ar Soutelo de Montes. \u00c9 nesta localidade que encontro o Francisco e dois peregrinos checos que t\u00eam mais pedalada, a Iveta e o Erik.<\/p>\n\n\n\n<p>Daqui para a frente caminh\u00e1mos em grupo durante bastantes quil\u00f3metros, at\u00e9 atravessarmos a ponte de Gomail (uma pequena ponte que data do s\u00e9culo XV), mais ou menos a 12 quil\u00f3metros do destino de hoje. O percurso at\u00e9 l\u00e1 \u00e9 muito diversificado, entre alcatr\u00e3o, estrad\u00e3o, e tamb\u00e9m muitos carreiros muito bonitos onde a \u00e1gua ainda corre e forma grandes zonas ou de riacho ou de lama que \u00e9 preciso atacar com alguma cautela.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da ponte de Gomail h\u00e1 uma subida de cerca de 3 quil\u00f3metros, interrompida momentaneamente por um ou outro ponto mais plano, at\u00e9 A M\u00e1moa. O sol est\u00e1 forte e como me sinto muito bem nestas circunst\u00e2ncias, decido impor o meu ritmo de caminhada, acabando por me afastar do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>Cheguei a Codeseda por volta das 14h30. A casa onde vou ficar alojado ainda n\u00e3o estava dispon\u00edvel, pelo que fui at\u00e9 ao bar Caminho da Geira para uma Estrella de Galicia como recompensa pelo esfor\u00e7o do dia <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"><\/p>\n\n\n\n<p>O grupo de 3 chegaria cerca de 35 minutos mais tarde, enquanto que o resto do grupo de checos s\u00f3 umas horas depois.<\/p>\n\n\n\n<p>Faltam agora dois dias para chegar a Santiago. O tempo tem estado, para mim, uma maravilha, mas a previs\u00e3o aponta para chuva precisamente no s\u00e1bado, dia em que chego a Santiago. Amanh\u00e3 a meio da tarde tamb\u00e9m \u00e9 prov\u00e1vel que a chuva d\u00ea um ar de sua gra\u00e7a, por isso o plano para amanh\u00e3 \u00e9 sair cedo (mas j\u00e1 com luz do dia) para evitar ser apanhado por alguma tempestade. Parece que o peso do material imperme\u00e1vel sempre vai servir para alguma coisa!<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Etapa 9 (dia 9@Geira): Codeseda &#8211; Pontevea<\/h2>\n\n\n\n<p>Os ponteiros do rel\u00f3gio avan\u00e7am a passos largos e com eles j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o 8 dias passados. Hoje \u00e9 o dia 9 no Caminho da Geira e j\u00e1 se sente um pouco aquele arrepio, quase de ang\u00fastia, no est\u00f4mago por saber que esta aventura (ou pelo menos a primeira parte) est\u00e1 prestes a terminar.<\/p>\n\n\n\n<p>O plano era tomar um bom pequeno almo\u00e7o e sair cedo. \u00c0s 6h00 j\u00e1 estava acordado e a dar os primeiros passos fora da Casa do Palomar por <a><\/a>volta das 7h00.<\/p>\n\n\n\n<p>O grupo principal dos peregrinos checos reuniu-se junto a um bar que estava prestes a abrir. Caminhei mais um pouco e logo \u00e0 frente, ainda antes de sair da povoa\u00e7\u00e3o, ia o Francisco, a Iveta e o Erik.<\/p>\n\n\n\n<p>O Erik j\u00e1 tinha dito, um pouco em jeito de brincadeira, que gostaria de conseguir chegar ao destino pelo menos uma vez antes de mim <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"> . N\u00e3o se trata obviamente de uma competi\u00e7\u00e3o, o Erik \u00e9 que gosta de se superar fisicamente e da\u00ed a sua inten\u00e7\u00e3o. Por essa raz\u00e3o hoje geri todo o meu percurso para lhe dar a dianteira do grupo e deix\u00e1-lo marcar o ritmo que, em boa verdade, n\u00e3o \u00e9 muito longe do meu.<\/p>\n\n\n\n<p>A etapa de hoje tinha cerca de 25 &#8211; 26 quil\u00f3metros e o desn\u00edvel n\u00e3o apresentava nenhuma dificuldade de maior. O percurso vai tendencialmente descendo, com uns sobe e desce l\u00e1 pelo meio para n\u00e3o facilitar demasiado <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"> . N\u00e3o havia, por isso, grande pressa at\u00e9 porque o albergue onde fico hoje s\u00f3 estaria dispon\u00edvel a partir das 14h00, e por isso acab\u00e1mos por fazer os 4 a etapa juntos, com alguma dispers\u00e3o do grupo aqui e ali.<\/p>\n\n\n\n<p>A etapa n\u00e3o tem propriamente nenhuma carater\u00edstica digna de especial destaque. H\u00e1 uma preval\u00eancia de piso alcatroado que a esta dist\u00e2ncia de Santiago acaba por ser normal, pois as zonas mais rurais e remotas est\u00e3o para tr\u00e1s. Contudo, os carreiros de bosque e os estrad\u00f5es a c\u00e9u aberto tamb\u00e9m fazem parte desta etapa, pelo que acaba por ter um pouco de tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Umas breves notas para A Estrada. Esta \u00e9 talvez a maior cidade pela qual passamos no Caminho da Geira e Arrieiros. Segundo o amigo m\u00edtico peregrino \u00c1lvaro Lazaga, o trajeto passa em cheio pelo meio de um bar, mas confesso que n\u00e3o encontrei <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"> . Se \u00e9 de facto assim, mais uma raz\u00e3o para voltar a fazer este Caminho no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>A sinaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 propriamente abundante em A Estrada, o que contrasta com o que foi o resto da etapa. Conv\u00e9m, por isso, usar o track GPS como refer\u00eancia para sair da localidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 15 quil\u00f3metros h\u00e1 uma decis\u00e3o para tomar. O trajeto normal segue pela esquerda, pela estrada, mas h\u00e1 uma alternativa 800 metros mais longa pela direita que segue pelo bosque. Sem tempo contado e com pouca vontade de caminhar junto ao tr\u00e2nsito, a escolha foi \u00f3bvia e seguimos pela direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta alternativa h\u00e1 que seguir o caminho principal com confian\u00e7a. Algures l\u00e1 no meio do trajeto h\u00e1 um carreiro \u00e0 esquerda que parece mais natural para seguirmos porque o caminho principal parece afastar-se demasiado do trajeto. Contudo, seguindo o caminho principal n\u00e3o tardar\u00e1 muito a virarmos \u00e0 esquerda como indica uma seta l\u00e1 colocada.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o conhe\u00e7o o percurso pela estrada, mas penso que \u00e9 seguro dizer que os 800 metros extra valeram a pena.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase \u00e0s portas de Pontevea, aos 23.5 quil\u00f3metros e onde est\u00e1 a fonte de Barco, as setas levam-nos para um pequeno ziguezague que antecede uma quinta. A\u00ed dever\u00edamos ter seguido o mais \u00e0 esquerda poss\u00edvel, junto a umas ramadas, para contornar a quinta pela esquerda e ir dar \u00e0 estrada. Contudo, o Erik levava a dianteira e sem querer acabamos a atravessar a quinta <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"> . Um senhor interpelou-nos mesmo \u00e0 sa\u00edda da quinta e referiu que de facto o caminho certo n\u00e3o est\u00e1 muito percet\u00edvel \u00e0 custa da erva alta.<\/p>\n\n\n\n<p>Junto \u00e0 ponte rodovi\u00e1ria que atravessa o rio Ulla a sinaliza\u00e7\u00e3o leva-nos para fora de estrada, pelo meio de imensa erva alta. Compreendo a raz\u00e3o dessa marca\u00e7\u00e3o, pois como vamos ter de atravessar a ponte rodovi\u00e1ria por baixo para evitar o tr\u00e2nsito e por tamb\u00e9m o mais pr\u00e1tico seja manter-nos no lado direito da estrada (pela berma), por raz\u00f5es de seguran\u00e7a o caminho pelas ervas \u00e9 prefer\u00edvel. No entanto sugiro que cada um avalie se vale mesmo a pena andar no meio de uma \u00abselva\u00bb, dar boleia a alguma bicharada, ou simplesmente seguir uns metros pela berma da estrada e virar \u00e0 direita por um acesso ao carreiro (onde j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 erva alta) mesmo antes da ponte come\u00e7ar para passar por baixo dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Passamos entretanto por baixo da ponte medieval de Pontevea, onde est\u00e1 \u00e0 nossa espera uma praia fluvial com um imenso espa\u00e7o verde. Todos, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de mim <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"> , est\u00e3o desejosos de ir at\u00e9 \u00e0 \u00e1gua. O Francisco \u00e9 o primeiro a ficar em trajes menores e a saltar para a \u00e1gua, pois isto de \u00e1gua fria \u00e9 algo que n\u00e3o o assiste. A corrente \u00e9 bastante forte, pelo que o Francisco vinha pelo rio abaixo tal qual um torpedo at\u00e9 se agarrar a um tronco de uma \u00e1rvore que pende sobre o rio para sair da \u00e1gua mais facilmente.<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo pedia uma cerveja fresca. Atravessamos a ponte medieval (apenas pedonal) e n\u00e3o fomos mais longe do que o bar Pontes para matar a sede.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegadas as 14h eu e o Francisco fomos ver das nossas acomoda\u00e7\u00f5es. \u00cdamos ficar no albergue rectoral de Couso, que fica cerca de 1.5 quil\u00f3metros antes de Pontevea, numa povoa\u00e7\u00e3o a uns 400 metros \u00e0 esquerda do Caminho. Contudo, aparentemente o albergue rectoral est\u00e1 em obras e o Pedro, respons\u00e1vel pelo albergue, acolheu-nos em sua casa, numas \u00e1guas furtadas onde tem 4 camas dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Os checos est\u00e3o numa outra ponta da localidade, mas mesmo n\u00e3o havendo espa\u00e7o comum, o jantar ser\u00e1 em conjunto. No mesmo local onde matamos a sede, iremos tamb\u00e9m matar a fome com um jantar de grupo com todos os 14 elementos.<\/p>\n\n\n\n<p>Amanh\u00e3 \u00e9 a reta final para Santiago. Ser\u00e3o cerca de 19 quil\u00f3metros num percurso tamb\u00e9m f\u00e1cil, pelo vou tentar absorver tudo o que puder destes \u00faltimos quil\u00f3metros antes de entrar na Pra\u00e7a do Obradoiro pela 15\u00aa vez.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Etapa 10 (dia 10@Geira): Pontevea &#8211; Santiago de Compostela<\/h2>\n\n\n\n<p>E pronto, chegou o dia que vinha a \u00abadiar\u00bb h\u00e1 10 dias. Esta \u00e9 a \u00faltima etapa do Caminho da Geira e Arrieiros, que encerra assim a primeira parte do meu Caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Para hoje a rotina foi a do costume: alvorada \u00e0s 6h00, pequeno almo\u00e7o \u00e0s 6h30 e sair \u00e0s 7h00.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o <a><\/a>leva muito tempo at\u00e9 sair de Pontevea. Na verdade esta localidade n\u00e3o \u00e9 propriamente pitoresca e tem pouco mais do que o que se v\u00ea da estrada que a atravessa.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo caminho eu e o Francisco apanhamos o Erik e a Iveta. Esta \u00e9 a \u00faltima etapa e dado que temos feito as \u00faltimas 2 ou 3 etapas mais ou menos ao mesmo ritmo, e como n\u00e3o havia pressa para fazer os cerca de 19 quil\u00f3metros, decidimos chegar \u00e0 Pra\u00e7a do Obradoiro em simult\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi preciso esperar muito para a chuva dar um ar de sua gra\u00e7a. Eram cerca de 7h30 quando finalmente tirei o poncho da mochila para passar \u00e0 vers\u00e3o de \u00abperegrino tenda\u00bb <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"16\" width=\"16\" alt=\"\ud83d\ude42\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/t4c\/1\/16\/1f642.png\"><\/p>\n\n\n\n<p>O percurso de hoje \u00e9, sem grandes surpresas, essencialmente alcatr\u00e3o, o atendendo ao facto de estar a chover n\u00e3o foi um propriamente um problema.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 aos 9 quil\u00f3metros que esta \u00faltima etapa mostra tamb\u00e9m que o Caminho da Geira e Arrieiros nunca \u00e9 um Caminho f\u00e1cil. \u00c9 aqui que come\u00e7a a subida mais acentuada do dia, que sobe por um estrad\u00e3o de terra. A chuva n\u00e3o ajuda e o calor dentro do poncho tamb\u00e9m n\u00e3o, pelo que a subida \u00e9 tamb\u00e9m de certo modo uma forma de sentir mais o esp\u00edrito de peregrina\u00e7\u00e3o e desvalorizar o tempo que n\u00e3o colabora.<\/p>\n\n\n\n<p>Em San Sadurni\u00f1o, j\u00e1 com 10 quil\u00f3metros feitos, aproveitamos um bar para fazer uma pausa e evitar a chuva que tinha engrossado.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que n\u00e3o demorou muito que, talvez por influ\u00eancia divina, que a chuva parasse e permitisse arrumar o poncho.<\/p>\n\n\n\n<p>A cerca de 6 quil\u00f3metros j\u00e1 se consegue ver Santiago de Compostela, quando a neblina come\u00e7a tamb\u00e9m a dissipar. N\u00e3o passou mais do que 1 quil\u00f3metro e finalmente avistamos as torres da Catedral, quase ao alcance da m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos descendo e descendo, sabendo que algures teremos de subir para alcan\u00e7ar a Catedral.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo esta a primeira vez que fa\u00e7o este Caminho, a entrada em Santiago \u00e9 novidade para mim. Por aqui as setas s\u00e3o praticamente inexistentes, pelo que o track GPS \u00e9 essencial se quiserem garantir que seguem realmente o percurso do Caminho em vez de qualquer rua em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Pra\u00e7a do Obradoiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma surpresa interessante do percurso \u00e9 a travessia do parque Eug\u00e9nio Granell. Trata-se de um parque verde, extremamente bonito e frondoso, que faz esquecer um pouco a urbanidade da etapa de hoje. Novamente, o track \u00e9 essencial para navegar tamb\u00e9m por aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7amos finalmente a subida final j\u00e1 pela zona urbana, onde a sinaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 agora bem vis\u00edvel. Depressa entramos na zona hist\u00f3rica e em poucos passos j\u00e1 conseguimos ver a lateral da catedral. A entrada na Pra\u00e7a do Obradoiro n\u00e3o \u00e9 a que muitos conhecem pelo Caminho Franc\u00eas, mas sim no extremo oposto da Catedral, por onde tamb\u00e9m entra o Caminho Portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente piso a Pra\u00e7a do Obradoiro. Esta \u00e9 a 15\u00aa vez que aqui chego no final de uma peregrina\u00e7\u00e3o a Santiago. N\u00e3o importa quantas vezes aqui venha, a emo\u00e7\u00e3o est\u00e1 literalmente \u00e0 flor da pele quando observo aquela imensid\u00e3o de gente e a magnific\u00eancia da catedral. A pele de galinha n\u00e3o engana \u00e0 medida que me aproximo do centro da pra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Cheguei finalmente! Tempo agora de saudar os companheiros de jornada que dia ap\u00f3s dia fui reencontrando no final de cada etapa, ou pelo meio dos in\u00fameros trilhos lind\u00edssimos que tornam o Caminho da Geira e Arrieiros t\u00e3o \u00fanico.<\/p>\n\n\n\n<p>A seu tempo ser\u00e1 altura de fazer um balan\u00e7o geral deste Caminho, mas tenho a certeza absoluta de que n\u00e3o foi a \u00faltima vez que o fiz.<\/p>\n\n\n\n<p>Para j\u00e1 ainda n\u00e3o \u00e9 tempo de descanso, pois pela primeira vez terminarei o meu Caminho a caminhar at\u00e9 casa. Amanh\u00e3 \u00e9 novo dia e o Caminho da Geira dar\u00e1 lugar ao Caminho Central at\u00e9 Ponte de Lima e o Caminho de Torres at\u00e9 Braga. Por isso de por l\u00e1 estiver algum peregrino que me tem acompanhado e avistar um peregrino em sentido oposto, digam ol\u00e1!<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-image uagb-block-00494262 wp-block-uagb-image--layout-default wp-block-uagb-image--effect-static wp-block-uagb-image--align-none\"><figure class=\"wp-block-uagb-image__figure\"><img decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-09.jpg ,https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-09.jpg 780w, https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-09.jpg 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 150px\" src=\"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-09.jpg\" alt=\"\" class=\"uag-image-3951\" width=\"720\" height=\"540\" title=\"rumo-a-santiago-09\" loading=\"lazy\" role=\"img\"\/><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto e fotos de https:\/\/www.facebook.com\/rumoasantiago Etapa 1 (dia 1@Geira): Braga &#8211; Caldelas Chegou finalmente o dia de encetar a descoberta de um Caminho que j\u00e1 h\u00e1 muito tempo estava nos planos: o Caminho da Geira e Arrieiros.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3936,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","footnotes":""},"categories":[1,25,10],"tags":[],"class_list":{"0":"post-3935","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-peregrinos-camino-xacobeo-geira-romana-arrieiros","8":"category-novedades-2024","9":"category-peregrinos-camino-santiago-relatos","10":"entry"},"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-01.jpg",800,628,false],"thumbnail":["https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-01-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-01-300x236.jpg",300,236,true],"medium_large":["https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-01-768x603.jpg",768,603,true],"large":["https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-01.jpg",800,628,false],"1536x1536":["https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-01.jpg",800,628,false],"2048x2048":["https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-01.jpg",800,628,false],"Blog Thumbnail":["https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-01-198x198.jpg",198,198,true],"store":["https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/alquiler\/rumo-a-santiago-01-339x266.jpg",339,266,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"Pilgrim","author_link":"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/author\/gral\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Texto e fotos de https:\/\/www.facebook.com\/rumoasantiago Etapa 1 (dia 1@Geira): Braga &#8211; Caldelas Chegou finalmente o dia de encetar a descoberta de um Caminho que j\u00e1 h\u00e1 muito tempo estava nos planos: o Caminho da Geira e Arrieiros.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3935","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3935"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3935\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3954,"href":"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3935\/revisions\/3954"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3936"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3935"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3935"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.debragaasantiago.com\/geira-arrieiros\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3935"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}